Família

É possível ensinar competências socioemocionais?

28 de março de 2021

Nos dias de hoje, a escola, assim como o ambiente familiar, tem sido lugar de referência para formação e preparação das pessoas para a vida adulta. Apesar de reconhecermos que o mundo atual é complexo demais para caber em um único currículo, cada vez mais, estudiosos da área de educação defendem que as escolas não podem se pautar apenas no conteúdo acadêmico tradicional, como matemática, ciências e linguagens, mas também devem estar atentas a maneiras de contribuir para que seus alunos compreendam essa complexidade, cada um a seu modo.

É nesse contexto que a educação socioemocional demonstra sua importância. O termo é usado por pesquisadores da área de psicologia e educação desde a década de 1990, mas ganhou mais presença nas escolas na última década. E, em 2019, o tema passou a fazer parte do currículo obrigatório nacional tanto das escolas públicas quanto da rede privada, por meio da BNCC.

Trata-se, muito resumidamente, de um projeto educacional que promove, além do acompanhamento curricular tradicional, também o desenvolvimento intencional da inteligência emocional e das chamadas habilidades socioemocionais, como proatividade, perseverança, criatividade e pensamento crítico, auxiliando alunos e alunas a ampliar a compreensão de si, sua capacidade de se relacionar com outras pessoas, tomar decisões e encontrar caminhos para os desafios cotidianos e futuros.

O movimento pela educação socioemocional encontra respaldo em pesquisas científicas. O site de educação Porvir, por exemplo, traz um estudo realizado em 2017 nos Estados Unidos, que analisou 82 programas e teve a participação de mais de 97 mil estudantes de educação infantil até o ensino fundamental 2, revelando que o desenvolvimento socioemocional traz benefícios que vão além da vida escolar. Ao lado de um melhor desempenho acadêmico, foram destaque as atitudes e o comportamento social positivos, em contraposição a menores dificuldades emocionais. E isso independentemente de questões socioeconômicas, raciais e localização da escola. Os benefícios incluem ainda mais conexão entre alunos e famílias e melhor apoio na resolução de conflitos.

As competências socioemocionais podem ser aprendidas, colocadas em prática e, é claro, ser ensinadas. Mas de quem é a responsabilidade de ensinar “empatia” para os estudantes, por exemplo? Do professor de Ciências? De História? A resposta certa é: de todos eles. É por isso que “empatia” não é necessariamente um componente curricular, como Ciências ou História. Por que ela é contemplada em uma das competências gerais, que permeiam todos os componentes, em todos os segmentos da Educação Básica – e também extrapolam o espaço da sala de aula.

Portanto, antes de qualquer trabalho pedagógico ser realizado, ele precisa estar alinhado ao Projeto Político Pedagógico da escola para conferir significado à prática. Aqui, a escola pode se aproveitar da horizontalidade das habilidades da BNCC para desenvolver um trabalho multidisciplinar, que envolva professores de todos os segmentos e componentes curriculares no desenvolvimento das competências e habilidades socioemocionais.

Para ensinar “empatia”, por exemplo, os professores dos componentes de Ciências e de História podem pensar em um projeto interdisciplinar que envolva o gênero debate. A partir deste projeto, os alunos deverão exercitar a escuta ativa, a cooperação, o respeito ao outro, a resolução de conflitos, entre muitas outras competências necessárias à compreensão do conceito e ao desenvolvimento de empatia.

Além do debate, as competências e habilidades podem ser trabalhadas de inúmeras formas: a partir do jogo e da ludicidade, da abertura de espaços moderados de fala e da troca de experiências, de propostas de atividades que envolvam a autoanálise e a representação (como o desenho, a música, a escrita etc.).

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Autor

Dulcineia Marques

Educadora e cristã com formação Católica. Defende os valores na família como estratégia para um mundo melhor.

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